Mostrando postagens com marcador Bloínquês. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bloínquês. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Carta para o Coração




Sistema Digestivo, 18 de janeiro de 2011.

Querido e frágil Coração,

Tento entendê-lo, mas não consigo. Tento ser forte assim como na maioria dos casos você é, mas tudo o que eu faço é em vão. Sei que nem sempre a culpa é sua, acredito que a culpa toda seja do Cérebro, esse estúpido que nunca ouve o que nós todos falamos. Sempre se achou o mais inteligente de todos, mas no final não era nada disso.

Outro culpado é o Sr. Esôfago. Entendo que ele tem a função de levar os alimentos até o primo dele, o Estômago, mas ele não precisa fazer com quem alguns alimentos se tornem preferidos só porque foi certa pessoa que nos deu de presente. A culpa não é sua, Coração, de sentir algo diferente por estar comendo um chocolate que nos foi dado.

Também não precisa se culpar pelas sensações estranhas que nós sentimos algumas vezes. O verdadeiro culpado disso é o Fígado, o mais frágil e bobo-apaixonado órgão. Sempre que sentimos desejo por alguém ou quando esse alguém vai embora e queremos nos “matar”, a culpa é do armazenamento de hormônio que ele faz.

Bom, só vim te falar mesmo o quanto eu admiro você. Mesmo depois de tantas e tantas desavenças você continua sempre ai, firme e forte (não tão forte assim, claro). Mas de qualquer forma torço para que sempre haja alguma maneira de se reerguer, como aconteceu agora. E não se culpe por bobagens feitas, somos apenas simples peças desse enorme quebra-cabeça que se chama ‘corpo humano’.

Do seu amigo distante,

Pâncreas.

____

Não sei direito se gostei dessa carta, mas enfim, podem ter a liberdade de dizer se não gostarem. Quanto ao texto anterior ainda não sei se farei uma continuação, mas é bem provável que não. Gosto quando deixo o final assim, para cada um decidir o que acontecerá.

1° lugar no Bloínquês, com a nota 10 *---* Fiquei tão feliz quando vi isso.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Daqui até a eternidade?

Já era quase de noitinha quando tudo aconteceu. Estávamos sentados no mesmo lugar de todos as noites. Tudo parecia normal, nada de diferente tinha acontecido até aquele momento. Ele parou na minha frente, abaixado, e pegou em minhas mãos.

– Você confia em mim?

– Lógico que confio, porque essa pergunta?

– Precisava saber disso antes de te pedir uma coisa. – Com uma expressão meio confusa olho pra ele tentando entender do que se trata. – É, eu tenho um pedido pra te fazer, mas não pode ser aqui. Vamos comigo, quero te mostrar uma coisa.

Levante apressada e acompanhei-o. Quanto mais andávamos, mais ansiosa eu ficava. Queria entender ao certo do que se tratava, perguntas e pedidos vinham a minha cabeça mas nenhum deles pareciam certos. Comecei a ficar preocupada achando que alguma coisa havia acontecido, mas tudo logo passou.

Estavamos chegando à praia. E bom, não era só a mesma praia de sempre que freqüentávamos, era uma espécie de quarto a beira-mar. Tudo tava tão perfeito. (Era como se tudo o que eu havia sonhado para a nossa ultima noite juntos ali. Eu sabia que seria a ultima noite, estava prestes a me mudar, mas não tive coragem de contar). Ali tinham velas pelo chão iluminando o caminho até chegar à cama. A paisagem estava perfeita, o dia já estava indo embora e a noite mergulhava entre o sol, como se fosse uma bricadeira.

As cores do céu estavam mudando conforme nós dois íamos nos tocando. Ele me levou no colo e me deitou com cuidado em cima dos lençóis. Eu o olhava e não acreditava que tudo aquilo tava acontecendo de verdade, tocava seus cabelos enquanto ele beijava meu pescoço... E ali nós passamos a noite toda. Era como se nada mais existisse, éramos só eu e ele – como num sonho. As águas do mar cantavam e dançavam num ritmo perfeito.

– Eu te amo e quero saber se você quer viver comigo até, assim, a eternidade? – Ele olhou pra mim e as palavras saíram depressa de sua boca, como se tivesse medo de pronunciá-las. – Sei que eu não tenho muita coisa pra te oferecer, mas o que eu sinto é mais importante que tudo.

Tudo passou como um filme na minha cabeça logo que eu o olhei. Não sabia direito o que fazer afinal algumas horas depois eu estaria dentro de um avião indo pra bem longe dali. Mas ao olhar aqueles olhos azuis sorrindo pra mim, tudo mudou. Eu estava apaixonada e nada do que eu fizesse ia mudar isso, resolvi então tomar uma decisão.


____

Para o Bloínquês, fiquei com o segundo lugar :)

Obrigada a todos os que leram.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Carta para o viajante do tempo

Faz muito tempo desde o ultimo dia em que nos vimos, eu sei. Culpa minha, talvez. Lembro do quanto nós nos divertíamos, e corríamos e brincávamos. Lembro que aprendi muitas coisas contigo. Você me fazia muito feliz, não tenho como negar isso. Sei que se não fosse por você eu não teria passado de ano, agradeço muito pelas horas de paciência me ensinando matemática.

Outro dia eu tava lembrando de quando nós íamos correr na fazenda, e depois pulávamos nos rios que tinham por lá. Éramos muito felizes, seriamos até hoje se eu não tivesse feito a besteira de me apaixonar por ti. Não me arrependo, não foi isso que eu disse. Apenas acho que não deveria ter mandado você ir embora, depois que descobri isso.

É, foi culpa minha nós dois termos nos separado. Sei que era muito criança ainda pra saber o que é o amor, mas eu não conseguia ver a minha vida sem você fazendo as palhaçadas de sempre do meu lado. Você, mais do que outra pessoa sabe que todos me chamavam de louca, e talvez eu fosse mesmo. Alguém que se apaixona pelo amigo imaginário não pode ser muito normal, não é mesmo?!

Bom, só to escrevendo essa carta porque lembrei de nós dois brincando aqui nesse balanço. E bateu saudade. Uma saudade enorme, pra falar a verdade. Queria poder ver você de novo, conseguir te abraçar bem forte e rir tudo o que nós conseguíamos. Mas eu sei que isso é impossível agora. Devia ter ouvido você no dia em que disse pra eu não te mandar ir embora, agora sei bem que você não voltará mesmo.

Mas obrigada por tudo. E se algum dia passar por aqui, vê se para e me deixa um bilhete. Como nós sempre fazíamos (escrevíamos um para o outro na areia). Sinto sua falta.

Sua melhor amiga.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

"- Quer namorar comigo?”

Oi amor,

Não parei de pensar nas tuas palavras essa noite. Com dificuldade peguei no sono, mas mesmo assim você não saiu do meu pensamento. “Quer namorar comigo?” Achei que não ficaria balançada com uma proposta dessas, achei que não iria acontecer assim tão rápido. Tínhamos acabado de nos conhecer, não imaginei que gostasses tanto assim de mim. Provavelmente a culpa é minha, medo de gostar de alguém de novo, medo de sofrer como já sofri.

Te falei isso, eu sei. Você tentou me explicar e me fez entender que a melhor forma de recomeçar é acreditar que voltará a ser feliz. E eu confiei em você. Eu acreditei que você me faria feliz. Hoje, lembrando desse dia, eu percebi que você tava certo. Tinha chegado a hora de eu recomeçar, tinha chegado a hora de eu dizer adeus a um coração acabado, tinha chegado a hora de parar de tentar remendá-lo e chegou a hora de comprar um novo.

Sei que aquele teu pedido foi a melhor coisa que me aconteceu, sei que ter confiado em ti não foi um erro. Independente de quanto tempo passou pra isso acontecer, eu gosto de ti. Gosto de ti a ponto de querer recomeçar tudo do zero. Gosto tanto de ti a ponto de voltar a sonhar com um futuro perfeito e brilhante. Sei que deveria pensar só no agora, no nosso presente, mas não consigo. Sou assim, me desculpa.

Sou sonhadora desse jeito. Sou mimada, egocêntrica, ciumenta, possessiva, e todas as mais coisas horríveis que existem em uma pessoa. Eu carrego tudo isso comigo. E agora levo você aqui dentro. Levo você com esse sorriso lindo, e com esse jeitinho que fez eu te amar. É, eu te amo. Eu tenho medo de te perder todos os dias, eu tenho medo de ter que recomeçar mais uma vez com uma outra pessoa.

Posso até parecer uma boba apaixonada agora, mas esse teu pedido me fez entender que nem sempre a vida segue como nós imaginamos. Um dia eu achei que minha vida tinha acabado, mas assim como uma fênix renasce das cinzas, você me fez querer começar uma vida nova – ao seu lado.

Eu quero você, eu gosto de você, eu amo você.

Sua Namorada


18ª Edição de Cartas - Bloínquês

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

One last time

De dentro do meu coração, em um futuro próximo com um passado não muito distante.

Talvez essa seja mais uma daquelas intermináveis cartas que eu sempre escrevo pra você. Talvez quando você abrir o envelope e olhar essa folha de papel meio amassada, imagine mais ou menos tudo o que eu escrevi aqui. Mas você está errado pensando assim. Pela primeira e única vez, acho, eu escrevo pra você sem medo de falar algo do que você não goste. Pela primeira vez não estou pensando em como seria bom ter você aqui do meu lado, e nem lembrando o quanto a saudade por ti dói.

Não sei direito o que aconteceu comigo. Acordei pra uma realidade muito diferente daquela que nós dois vivíamos. De sonhos intermináveis e fantasias perfeitas. Te chamei de amor da minha vida, e não me arrependo disso. Você foi sim, como foi também o meu príncipe mais perfeito. Não vou negar que sinto a sua falta, todos sabem disso...

Mas agora você se foi pra algum lugar onde não posso te trazer de volta. E pra falar a verdade, meu doce príncipe, acho que é melhor te deixar nesse lugar. Aí onde você está não tem tanta turbulência e nem perigo de alguém se machucar. Espero que tudo fique bem. Penso em você todos os dias sim, torço pra que tudo dê certo e pra que você seja muito feliz.

Sempre te disse que pra eu ser feliz, você teria que estar feliz também... lembra? É assim mesmo, como o ‘se você pular, eu pulo’. Nossas vidas continuam interligadas, querendo ou não. Você me fez feliz, você me fez sorrir e esteve sempre comigo (mesmo de longe). Você ainda continua por aqui, eu sei, eu sinto. Mas eu não consigo saber qual o lugar certo.

Se algum dia você encontrar algum caminho pra chegar até aqui, vêm. Vou te esperar na porta com um sorriso enorme no rosto, e com toda certeza, com os braços abertos pra te dar aquele nosso tão sonhado abraço. E dizer o quanto foi bom ter te conhecido um dia. Mas por enquanto faz só uma coisa pra mim: se cuida e não esquece que do outro lado do país tem alguém que nunca te esquecerá.

Aquela sua Rainha.